29/09
Apresentação de Livros

No dia 29 de Setembro, a partir das 19:00, não percam o lançamento simultâneo dos livros "Casa das Sete Senhoras" de Tito Mouraz, “The dew of Little things” de Carlos Lobo, “O Corpo Neutro" de Filipe dos Santos Barrocas, "Day X - Lapse Rate" de Pedro Guimarães e Miguel Clara Vasconcelos, e "(O)Porto" de José Bacelar.

 

Este evento irá decorrer em simultâneo com a Inauguração da exposição individual "Memória de Pedra" de Maria Trabulo.

 

CASA DAS SETE SENHORAS de Tito Mouraz

Ainda se diz por aqui que a casa está assombrada.

Na casa do Casal viviam sete senhoras, todas irmãs solteiras. Uma era bruxa.

Em noites de lua cheia, as senhoras, voariam nas suas vestes brancas da varanda para os ramos frondosos do castanheiro, sobranceiros à rua. Daí seduziriam os homens que passassem.

Na Casa das Sete Senhoras, conversar, saber como era antes de mim, ouvir e imaginar, foi tão importante quanto o ato de fotografar.

Comecei por fazer alguns retratos de pessoas. Interessaram-me porque sempre viveram aqui e estão ligadas à terra como as árvores. Falam do tempo, das suas recordações, das perdas… muitas já vestem de preto.

Esta série dá conta de um persistente regresso ao mesmo lugar, para perscrutar as suas diferenças (a lenta desactivação do maneio agricola, a transformação progressiva do território, o envelhecimento…), porém escutar o mesmo mocho, a mesma raposa, as mesmas estórias.

Tal como na lenda, talvez tenha sido a feição mágica e medonha, desta experiência cíclica, o meu maior ferimento: a noite, os fumos, os cadáveres, a lua, a ruína, os sons.

Um lugar de afetos, afinal, também nasci aqui.

Tito Mouraz, Beira-Alta, Portugal [2010-2015]

 

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THE DEW OF LITTLE THINGS de Carlos Lobo

“Estive no Líbano entre os dias 5 e 14 de Janeiro de 2011. Deambulei pelas ruas desertas e movimentadas de Beirute, captando imagens e tentando compreender esta cidade complexa. 

Por toda a parte deparava com vestígios da história e de guerras prévias.

No dia 12 de Janeiro o governo libanês caiu. Um taxista passou por mim e gritou: Não temos governo!  As mesmas ruas estavam agora repletas de militares e o acto de fotografar deixou de ser tão simples como anteriormente. 

Avancei para a baixa da cidade junto ao mar e tirei a minha última foto em Beirute. Fotografei o mar, de um azul profundo e muito plácido… a vida prossegue.”

O CORPO NEUTRO de Filipe dos Santos Barrocas

O autor explora o corpo neutro do referente na imagem fotográfica e o resultado da sua pesquisa é este conjunto de narrativas. Cada uma é desenvolvida em diálogo com outros autores e construída a partir de retratos da sua família. Ele, em particular, conta a história de um homem e de uma mulher, mas eles não são um casal. Ele é avô dela. E ela, ainda criança nestas imagens, é agora mãe do autor. Lê-se no verso de um dos retratos dela: “Vimeiro 1968”. É a costa ocidental portuguesa. Lugar onde se travou a batalha com os franceses no início do século XIX e, pelo que parece, destino de férias da sua família. Lugar esperado e distante, onde águas doces e salgadas se encontram e a ilha de Saturno pontua o horizonte. Ilha granítica situada no oceano Atlântico, a meia dúzia de milhas do Cabo Carvoeiro e no horizonte do Vimeiro, onde o avô ensinou a criança a nadar. Acontecimento testemunhado pelo aparelho fotográfico do pai e comprovado até hoje pelo álbum de família.

 

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DAY X - LAPSE RATE de Pedro Guimarães e Miguel Clara Vasconcelos

Day X é uma série de 5 publicações, cada uma expondo a colaboração de um dia entre um escritor e um fotógrafo que trabalhem na Europa.

Em Lapse Rate, o fotógrafo Pedro Guimarães e o realizador e escritor Miguel Clara Vasconcelos viajaram de Lisboa para Gibraltar contemplando a morte, fronteiras e aviação.

(O)PORTO de José Bacelar

O Porto é um lugar de memórias. Tenho aqui algumas raízes. É um lugar de que gosto, um lugar onde acabo sempre por voltar. Tenho vindo a fotografar a cidade, a família, amigos e conhecidos. Fotografo-os à medida que os encontro. De uma ou outra forma, todos habitam o Porto.

Cruzo-me com lugares que me fazem sentir. Fotografo-os. Reflectem o que sinto, como me sinto, o que sou e por onde vou. E muito tenho deambulado pela cidade. O Porto das deambulações, das paixões e do sentido da vida. Perco-me na cidade que conheço e na cidade que descubro.

Continuo a reencontrar velhos amigos e conhecidos, conheço pessoas. Deixei de ver a cidade como um todo. Passei a vê-la como fragmentos, fragmentos da minha identidade, do meu sentir. Sou parte do Porto, tal como sou parte de qualquer cidade.

A viagem, o quarto, os dois na cama, o olhar forte da proximidade, o rosto por trás dos prédios, a amizade e o amor incondicional, a cadela, os filhos dos outros, os filhos dela e a minha, as asas do anjo, ela adormecida, eu ao espelho, um abraço, um toque na mão, as árvores, as palmeiras, as marcas no corpo e na pedra, as memórias da casa...

Enfim, a cidade é a alma que a habita. O Porto que se sente. É o Porto que sinto, porque “o que vemos, não é o que vemos, senão o que somos”.

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